O CIO está morto! Vida longa ao CIO!

As últimas semanas tem sido pródigas em discussões sobre o papel do CIO nas organizações. Discussões estas tanto em redes sociais (LinkedIn – Enabling The Next Generation CIO; Twitter; blog da AIIM), bem como na vida profissional.

E todos acabam sempre batendo na mesma tecla – “É menos importante ser o tecnocrata líder e sim mais importante entender como a tecnologia pode ser utilizada para alavancar o posicionamento competitivo da organização”.

Recentemente participando de um workshop sobre BPM, escutamos de especialistas em workflow a afirmativa “mas eles estão querendo automatizar o AS IS”, enquanto que o usuário estava achando que a automação de seu processo existente era o máximo que poderia extrair da tecnologia.

Ou então, aquele caso onde o pessoal manda digitalizar tudo e “colocar aí”. Depois diz que não atende pois não acha o que quer…

Em ambos os casos havia o domínio da tecnologia mas não havia a visão de como esta poderia efetivamente ser útil para alavancar o processo de negócio.

Segundo Ed Laprade, CEO da ADNET Technologies, “a não conexão entre aqueles que conhecem o negócio com aqueles que conhecem a tecnologia é um problema que tem ocorrido nas organizações há muitos anos”.

Segundo a AIIM, ECM são estratégias, métodos e tecnologias para capturar, gerenciar, armazenar, preservar e entregar conteúdo. Não basta conhecer as tecnologias já que em muitos casos as estratégias e métodos acabam tendo mais peso que a tecnologia propriamente dita no sucesso do projeto.

O papel do CIO mudou brutalmente nas últimas décadas. O gerente do CPD do tempo do “batch” foi obrigado a aprender a conviver com usuários com cada vez mais expertise em tecnologia, revoluções como o processamento “on-line, real time”, redes sociais, “cloud”, BYOD, sem falar do EIM – Enterprise Information Management com o Big Data.

Este novo CIO, se não quiser perder o seu assento, como vem acontecendo em diversas organizações, precisa cada vez mais ser um arquiteto com uma visão corporativa, atualizado e capacitado, com um grande entendimento do negócio e percepção de como orquestrar as tecnologias dentro da organização.

Se não tivermos este papel, definitivamente o arquipélago informacional tomará conta, com todas as redundâncias de hardware, software e principalmente de informações decorrente das iniciativas individuais de “resolver seu problema”. Iniciativas estas que já estão se tornando culturais e que dificultam tremendamente a maximização dos investimentos em gestão da informação. Se cada um for resolver seu problema, não precisamos do CIO.

Não é à toa que no modelo de maturidade em ECM da ECM3 existem a dimensão de maturidade da área de TI e a dimensão de maturidade da área de negócio. E, existe a dimensão de alinhamento entre ambas as dimensões anteriores, visando que o desenvolvimento de estratégias entre a área de TI e de negócio seja feito de forma colaborativa e simultânea.

Algumas premissas precisariam ser atendidas para que o novo CIO tenha sucesso:

  • Ter um patrocinador de peso corporativo, assegurando por livre e espancada vontade a implementação de visões de negócio corporativas;
  • Investimento em capacitação de recursos humanos, tanto da área de TI quanto das áreas de negócio, alinhando entendimentos;
  • Sair da redoma de vidro e estar na linha de frente de negócio observando e ajudando a identificar oportunidades (até o Papa prega isto!);
  • Ter uma equipe com capacitação técnica efetiva com competência para obter requisitos e identificar soluções (e não obter soluções e depois identificar requisitos!);
  • Por fim, uma boa dose de psicologia para estruturar a gestão da mudança para lidar com o componente mais complicado: o ser humano.

Vida longa ao CIO!