O profissional para a gestão da informação

Trabalhando em conjunto com equipe de doutores e doutorandos de uma universidade federal em projeto de um grande grupo do interior do Brasil, passamos um bom tempo  discutindo sobre o perfil necessário para a gestão da informação nas organizações e o papel das universidades brasileiras na formação deste recurso.

Ao mesmo tempo, o National Archives of Australia publicou o documento “Digital information and records management capabilities – Skills and knowledge for Australian Government employees” (Perfis e conhecimento para funcionários do governo australiano para funções de gestão de registros e informações digitais) – http://naa.gov.au/records-management/development/qualifications/index.aspx . O programa do governo australiano detalha as competências necessárias para os funcionários públicos, para os especialistas em TI e para os gestores de documentos arquivísticos e da informação poderem exercer suas atividades.

Segundo a Gartner, apud AIIM, novas funções surgem em decorrência da rápida evolução do mundo da gestão da informação. Entre estas, citam o cientista de dados, responsável pela estruturação dos dados para efeito de mineração; o gestor da informação, responsável pelas políticas, estratégias e tecnologias para a gestão do ciclo de vida da informação e; os comissários da informação, responsáveis pela efetividade do programa de governança da informação nas organizações.

A constatação que se pode ter é que estamos entregando uma motocicleta de última geração, carregada de recursos tecnológicos, para quem anda a cavalo. Claro que o hipismo foi escola para o motociclismo, mas daí achar que um peão poderá levar uma BMW S1000RR ao destino sem destruí-la já é jogar com a sorte.

Falta à academia brasileira uma diretriz mais forte sobre a complementação da formação dos profissionais da ciência da informação para que estes possam exercer os novos papéis que a gestão da informação demanda, com sucesso. Conceitos básicos de arquivística e de biblioteconomia são fundamentais pois a informação precisa ser classificada e rotulada. Mas a partir daí vem os requisitos específicos tais como os listados pelo NAA – métricas para a informação, preservação digital, competência nas tecnologias e funcionalidades, entre outros. Conhecimento da norma ISO 16175 – Princípios e Requisitos Funcionais para documentos arquivísticos em ambientes eletrônicos de escritório é considerada uma premissa nos estágios mais básicos da formação dos envolvidos em iniciativas de gestão da informação.

Enquanto as universidades brasileiras não complementarem os seus programas com estes conhecimentos específicos, os profissionais da informação deverão ser pró-ativos na busca das competências necessárias. A participação em eventos tais como o XI Congresso de Arquivologia do MERCOSUL onde haverá módulo específico sobre ECM; os programas de certificação da AIIM, onde o módulo Specialist atualizado acaba de ser traduzido para o português; o embasamento com programas de maturidade tanto de ECM como de profissionais atuantes em gestão da informação são iniciativas que ajudam a trazer os conhecimentos necessários para conduzir com sucesso iniciativas de gestão da informação.

Claro que sempre haverão os que acham que por saberem dominar um jegue, são capazes de qualquer coisa. Cuidado pois a viagem pode acabar num barranco…