O Valor da Informação – Infonomics

Segundo Doug Laney da Gartner Group, em 1975 o patrimônio tangível de uma organização representava 83% de seu valor. Hoje este número é de 20%.

Recentemente a Microsoft comprou o LinkedIn pagando US$ 26,2 bilhões, com uma disparidade enorme entre o patrimônio tangível e intangível.

Em fevereiro de 2016 as ações do Facebook valiam U$328 bilhões enquanto que as ações da Exxon estavam avaliadas em U$315 bilhões. Lembramos que a Exxon possui reservas petrolíferas, refinarias e distribuição de combustível. O Facebook possui conteúdo em bancos de dados.

Os fatos acima demonstram como cada vez mais estamos na Era da Informação onde o “combustível ou petróleo” passa a ser a informação. E daí vem então o desafio de se atribuir valor para esta informação.

Há alguns anos surgiram as primeiras tentativas para se avaliar de forma tangível o valor da informação nas organizações. Paul Strassmann em seu livro “The Economics of Corporate Information Systems” fazia abordagens comparando os investimentos em gestão da informação com o resultado gerado pelos funcionários das organizações. Mas estas abordagens não focavam o valor da informação propriamente dita.

Segundo John Mancini, presidente da AIIM, está claro que a maioria das organizações valorizam muito suas informações, mas ainda não encontraram uma forma efetiva para mensurar e atribuir valor a elas.

A AIIM – Association for Information and Imagem Management realizou uma série de workshops nos EUA e na Europa em junho deste ano com a presença de CEOs, CFOs e CIOs de grandes organizações para discutir o tema Infonomics – disciplina que mensura o valor da informação.

Algumas das constatações destes grupos de trabalho foram:

  • O uso do termo Infonomics ainda não é uma tendência
  • Por que o conceito de “Infonomics” ainda é tão difícil para as organizações adotarem?
  • Se estamos na Idade da Informação, por que nos balanços a informação como patrimônio não aparece da mesma forma como o patrimônio físico e financeiro?
  • É urgente a necessidade de padrões para a mensuração do valor da informação
  • Existem 2 obstáculos para a adoção de modelos padrão:
    • Não é possível mensurar o que não se pode controlar
    • Mensurar o valor da informação só pode ser feito no contexto de como a informação é utilizada.
  • Mensurar o valor da informação será um desafio para os profissionais da informação e contadores nos próximos anos.

 

O fato é que estamos nos movendo de um cenário onde a informação por si só já era uma commodity para um cenário onde, para agregar valor a esta informação, deveremos ter facilidade de acesso à informação para, através de competências e visões dirigidas, obter o engajamento de todas as partes relacionadas à esta informação (contexto da informação).

Entre as competências exigidas nesta nova Era, uma das que tem sido ressaltada é a de cientista de dados (data scientist). Segundo a Harvard Business Review, esta é considerada uma das profissões mais “sexy” deste século e; segundo a Forbes, a melhor carreira a ser perseguida em 2016.

De nada, porém, adiantam iniciativas deste tipo, se a lição de casa não tenha sido feita inicialmente. Conforme recomenda o grupo da AIIM, você só consegue mensurar o que consegue controlar. Ou seja, as fundações deste novo mundo iniciam pela gestão da informação estruturada e não estruturada nas organizações de forma apropriada. Para que então possamos começar a atribuir valor a ela.

Ou alguém já viu um inventário ter sucesso em um almoxarifado totalmente bagunçado?