Uma nova indústria ou evolução natural?

A história da gestão da informação é longa e remonta aos antigos notários. Em termos de tecnologia, a AIIM – Association for Information and Image Management tem sido a entidade representante dos interesses das partes interessadas desde 1943. As evoluções desde lá foram apresentadas no congresso deste ano e podem ser vistas no YouTube sob o título “AIIM17 Opening – A History of Information Management”. Veremos referência ao mundo micrográfico, a Internet já ter sido considerada um modismo e a criação do termo ECM – Enterprise Content Management em 2000, expressão esta que representa a nossa indústria até hoje.

Considerasse que uma geração em termos de TI tenha cinco anos. Ora, a expressão ECM tem 17 anos, ou seja, TRES gerações de TI. Há tempos havia uma certa movimentação procurando atualizar este termo em decorrência de fatos tais como uma intersecção cada vez mais forte com o mundo do conteúdo estruturado, a inclusão dos dispositivos móveis como canais de entrada e saída, o uso de nuvem, a incorporação de técnicas de análise de conteúdo e, a integração de ferramental de inteligência.

Pessoalmente participo dos congressos da AIIM desde 1986, com raras ausências por fatores tais como o vulcão na Islandia em 2010, que me deixou preso em Paris. Nestes trinta e um anos, dois congressos haviam marcado pela importância dos temas anunciados. Um foi quando da inserção da indústria de gestão de documentos na Web, com a apresentação de conceitos de arquivos XML e a visualização de documentos em browsers. O outro, logo após o lançamento do PDF pela Adobe quando o conceito de documentos eletrônicos portáteis expandiu a gestão documental.

O congresso de 2017 passará a fazer parte deste grupo de eventos marcantes. John Mancini apresentou a expressão IIM – Intelligent Information Management como a evolução da indústria de ECM logo na palestra de key note de abertura. Nas palestras e entre os expositores, expressões como Artificial Intelligence, Intelligent Capture, Machine Learning, Natural Language, Analytics predominavam. Suspeito até que, entre os 50% de participantes que estavam no congresso pela primeira vez, deveria existir a dúvida se aquele era um evento de gestão de documentos…

O fato é que a nossa indústria gerou acervos legados monstruosos nos mais diversos tipos de suporte, sendo que a expressão ROT (podre em inglês) ou Redundante, Obsoleto e Trivial prevalece. A abordagem sugerida é se fazer inicialmente uma classificação automática destes acervos. Na sequencia, uma limpa utilizando-se de técnicas de analytics com inteligência artificial. O que sobrar, passa então a ser valioso do ponto de vista de análises (analytics) e disponível para recuperação por linguagem natural. Que tal chegar em casa e poder dizer “Allo Google me traga todos os documentos necessários para o imposto de renda de 2017”?

Do ponto de vista técnico isto já é realidade. Organizações brasileiras já investem em projetos de gestão da informação com o uso de inteligência cognitiva. Porém, a maturidade da maioria das organizações quanto aos seus acervos de informação ainda está aquém do necessário para poder tirar efetivo proveito destas tecnologias. Requisitos como taxonomia corporativa, modelos de metadados, retenção, segurança da informação não estruturada e governança da informação devem estar consolidados para que isto aconteça. E implica em ter profissionais com capacitação para tanto. Ou, como você quer ir para o Intelligent Information Management sem ter inteligência para tanto dentro de casa?